Masp abre exposições dedicado ao feminismo

As temáticas escolhidas pelo Masp para reger as exposições de cada ano não costumam decepcionar. Neste 2019, que já começa cheio de tensões, não será diferente. O Museu de Arte de São Paulo tomou como eixo central das mostras o tema “Histórias das mulheres, histórias feministas“. Ninguém menos que Tarsila do Amaral, Lina Bo Bardi e Anna Bella Geiger, entre outras, ocuparão as paredes em mostras monográficas ao longo do ano.

O museu já tinha flertado com o tema duas vezes nos últimos anos. Em novembro de 2015, o Masp abriu a mostra Histórias Feministas, da artistas Carla Zaccagnini. Com a obra “Elementos de beleza: Um jogo de chá nunca é apenas um jogo de chá”, ela trazia um pouco sobre os ataques das suffraggetes, ativistas que lutaram pelo direito de voto para a mulher na Inglaterra do início do século 20.

Djanira da Motta e Silva é quem abre os trabalhos de Histórias Feministas, bem no mês em que se comemora o Dia Internacional da Mulher. Nas paredes do Masp, “Djanira: a memória de seu povo” é a primeira grande exposição individual em um museu dedicada ao trabalho da artista, 40 anos após sua morte. Mas não estamos falando aqui de uma pintora com reconhecimento tardio e sim e de uma das grandes e reconhecidas pintoras do cenário brasileiro dos anos 1940. Sua exposição monográfica anterior aconteceu em 2000, no Centro Cultural Light, no Rio de Janeiro, cidade onde passou boa parte da vida.


Djanira surge no momento em que o modernismo dos anos 20, da Tarsila, da Anitta, já encontra terreno mais sólido. Nos anos 40, ela chega no cenário das artes plásticas participando dos salões nacionais, até que a crítica de arte daquela época a categoriza como uma artista primitiva, ingênua. “Isso são categorias muito problemáticas e preconceituosas e acabaram isolando o trabalho dela de uma narrativa maior sobre a arte moderna brasileira”, explica a curadora Isabella Rjeille.

Segundo Isabella, isso era algo que a própria Djanira negava. “Ela falava que ela poderia ser ingênua, mas o trabalho dela não. Para ela, a pintura era um compromisso social”, conta. Assim, essa é uma exposição busca recolocar o trabalho da Djanira e mostrar a importância fundamental de sua obra, além de vir mais mais alinhada com o discurso que a própria artista tinha sobre seu trabalho, do que o discurso que a história da arte brasileira fez sobre ela. “É uma atitude que se deve ter em relação muitas artistas mulheres que tiveram suas vozes sendo menos importantes diante da voz de alguns críticos”, diz a curadora.


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